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Com o avanço da tecnologia e a popularização dos serviços digitais, muitas facilidades chegaram também ao universo financeiro. Aplicativos de banco, Pix, pagamentos por QR Code e até transações por aproximação já fazem parte da rotina de milhares de brasileiros.
Mas, com a inovação, surgem também novas ameaças e, infelizmente, os idosos estão entre os principais alvos dos golpes financeiros.
Neste artigo, você vai entender quais são os golpes mais comuns aplicados em idosos, por que eles são alvos frequentes e, principalmente, como prevenir esse tipo de crime e agir caso alguém da sua família seja vítima.
Por que os idosos são mais suscetíveis a golpes financeiros?
O envelhecimento traz consigo mudanças naturais no comportamento, na cognição e na forma de se relacionar com o mundo. Paralelamente, a digitalização de serviços exige cada vez mais atenção, habilidade técnica e senso de desconfiança, uma combinação desafiadora para quem não cresceu nesse ambiente.
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos, apenas no primeiro semestre de 2024, o Disque 100 registrou 24,6 mil denúncias de violações patrimoniais e golpes contra pessoas idosas. Isso representa quase um terço de todas as denúncias feitas no período, revelando uma realidade preocupante que demanda vigilância e conscientização.
Entre os fatores que contribuem para essa vulnerabilidade, destacam-se:
- Menor familiaridade com tecnologia: muitos ainda se adaptam ao uso de smartphones, aplicativos e internet banking.
- Confiança nas relações humanas: acostumados com acordos verbais e relações de boa-fé, idosos tendem a ser mais receptivos a abordagens suspeitas.
- Isolamento social: a solidão pode levar o idoso a buscar interações, tornando-o mais vulnerável a contatos mal-intencionados.
- Declínio cognitivo natural: raciocínio mais lento ou lapsos de memória dificultam a percepção de riscos e a tomada de decisões seguras.
Essas fragilidades são exploradas por criminosos que atuam com persuasão emocional, senso de urgência e aparência de autoridade, criando cenários que induzem a vítima a agir rapidamente, sem tempo para refletir ou buscar ajuda.
Como identificar um golpe
Identificar os sinais de um golpe é o primeiro passo para prevenir perdas financeiras e proteger quem você ama. Reconhecer esses padrões ajuda a interromper o golpe antes que ele cause maiores danos.
A seguir, explicamos os principais sinais de alerta que indicam que um idoso pode estar sendo alvo de um golpe financeiro:
- Solicitação de dados por telefone, e-mail ou mensagem
Se alguém pede senhas, números de cartão, códigos de verificação ou qualquer outro dado pessoal por telefone ou aplicativos de mensagem, é sinal de alerta. Bancos e instituições sérias nunca fazem esse tipo de solicitação.
- Criação de situações urgentes ou alarmantes
Muitos golpes envolvem histórias inventadas que pressionam a vítima a agir rapidamente, como um sequestro falso, movimentações bancárias suspeitas ou contas bloqueadas. A intenção é impedir que a pessoa pense com calma ou procure ajuda.
- Promessas de dinheiro fácil ou ganhos inesperados
Mensagens sobre sorteios em que você não se inscreveu, heranças de parentes distantes ou prêmios que exigem pagamento antecipado são práticas comuns entre golpistas. Desconfie sempre que uma “boa notícia” vier acompanhada de cobrança imediata.
- Links e mensagens com aparência suspeita
Um texto com erros de português, endereços de e-mail estranhos ou links abreviados deve sempre levantar suspeita. Ao clicar, a vítima pode ser redirecionada para páginas falsas que simulam sites de bancos ou empresas conhecidas.
- Mudanças no comportamento financeiro do idoso
Além dos sinais externos, o comportamento do idoso também pode indicar que algo está errado. Fique atento se ele passar a realizar transferências frequentes ou fora do padrão, evitar falar sobre assuntos financeiros, demonstrar receio ao usar celular ou cartão, ou mesmo demonstrar preocupação excessiva com dinheiro. Esses indícios podem sinalizar que ele está sendo manipulado, mesmo que não perceba ou não saiba como pedir ajuda.
Manter conversas abertas sobre segurança digital e acompanhar de perto a rotina financeira dos idosos são formas eficazes de evitar golpes. Quanto mais informada estiver a família, menores são as chances de os golpistas encontrarem brechas.
10 golpes financeiros mais comuns contra idosos
Golpistas costumam agir de forma estratégica, repetindo padrões que se mostram eficazes, especialmente com pessoas idosas. Muitos desses golpes se aproveitam de rotinas comuns, como ir ao banco, receber uma entrega ou atender ao telefone para criar situações falsas que convencem a vítima a fornecer informações, realizar pagamentos ou entregar cartões.
É importante conhecer como esses golpes acontecem para saber identificar os sinais, orientar familiares e evitar prejuízos maiores. A seguir, listamos os golpes mais recorrentes, explicando como funcionam e o que pode ser feito para preveni-los.
1. Golpe do caixa eletrônico
Ocorre quando o golpista se aproxima no momento em que o idoso tenta realizar uma operação em um caixa eletrônico, oferecendo ajuda com aparência gentil. Durante o processo, observa a senha digitada e, em um momento de distração, troca o cartão por outro semelhante, geralmente inativo.
A recomendação é utilizar caixas eletrônicos localizados dentro de agências bancárias e nunca aceitar ajuda de desconhecidos. Em caso de dúvidas, procure exclusivamente funcionários devidamente identificados.
2. Golpe da maquininha e do falso presente
O criminoso se apresenta como entregador, alegando que há um presente enviado por um conhecido. Para receber o item, solicita o pagamento de uma taxa simbólica no cartão. No entanto, o valor cobrado é significativamente maior devido à adulteração intencional da maquininha.
Para evitar esse tipo de golpe, é importante desconfiar de qualquer solicitação de pagamento para o recebimento de presentes e encomendas. Confirme sempre a procedência diretamente com quem supostamente enviou o item.
3. Golpe do falso boleto
A partir de informações obtidas on-line, criminosos emitem boletos falsos com aparência visual idêntica à de empresas legítimas, como operadoras de telefone, planos de saúde ou instituições religiosas. Ao realizar o pagamento, a vítima transfere os valores diretamente para contas fraudulentas.
Oriente que boletos devem ser gerados exclusivamente em canais oficiais da instituição. Antes de pagar, é essencial conferir se o nome do beneficiário corresponde à empresa verdadeira. Deve-se desconfiar de cobranças recebidas por e-mail ou aplicativos de mensagem sem solicitação prévia.
4. Golpe do motoboy
Nesse golpe, a vítima recebe uma ligação de alguém que se apresenta como funcionário do banco e informa que o cartão foi clonado. O suposto atendente orienta que o cartão seja cortado ao meio e entregue a um motoboy, que irá até a residência.
No entanto, o chip permanece intacto e pode ser usado para saques e compras. Além disso, bancos não recolhem cartões por meio de terceiros.
Ao descartar um cartão, é indispensável destruir também o chip. Diante de qualquer contato suspeito, desligue e procure o banco pelos canais oficiais.
5. Golpe do sequestro de parente
Utilizando manipulação emocional, o golpista liga para o idoso e simula uma situação de sequestro. A vítima ouve gritos ou choro, e um criminoso exige o pagamento de uma quantia para “libertar” o suposto familiar.
Manter a calma é essencial. A orientação é desligar imediatamente e entrar em contato com o familiar envolvido. Nunca forneça nomes ou informações pessoais durante ligações desse tipo.
6. Golpe do empréstimo consignado
O golpista se apresenta como funcionário de uma instituição financeira e oferece empréstimos com condições atrativas. Solicita dados pessoais para simular uma proposta, mas, na verdade, realiza um contrato real, resultando em descontos indevidos no benefício do INSS.
Jamais devem ser fornecidos dados pessoais por telefone. Acompanhe regularmente os extratos de benefício e desconfie de ofertas que envolvam pressa ou promessas de vantagens incomuns.
7. Golpe da falsa central
O idoso recebe uma ligação de alguém que se identifica como integrante da central de atendimento de um banco. O suposto atendente informa que há movimentações suspeitas na conta e solicita dados sensíveis, como senhas, ou a instalação de aplicativos.
Bancos não solicitam informações pessoais nem instalação de aplicativos por telefone. Diante de qualquer suspeita, desligue imediatamente e entre em contato com a instituição por canais oficiais.
8. Golpe da aposentadoria
Nesse caso, o criminoso informa que há valores retroativos referentes ao INSS disponíveis para saque. Para liberar os recursos, exige o pagamento de uma taxa de forma antecipada. Após a transação, a vítima perde o contato com o golpista.
Todas as operações relacionadas ao INSS são gratuitas e devem ser consultadas exclusivamente pelos canais oficiais, como o aplicativo Meu INSS ou as agências presenciais.
9. Golpe do Pix errado
O criminoso realiza um Pix para a vítima e, em seguida, entra em contato afirmando que enviou o valor por engano. Solicita que a devolução seja feita para uma conta diferente da original. Posteriormente, ainda aciona o banco solicitando o estorno, dobrando o prejuízo da vítima.
Se isso acontecer, a devolução correta deve ser feita apenas por meio do botão “Devolver”, dentro do próprio aplicativo bancário. Nunca realize transferências manuais para contas indicadas por terceiros.
10. Golpe da cesta básica
A vítima recebe uma proposta de doação de cesta básica. Como parte do processo, o golpista solicita uma foto do documento pessoal sob o pretexto de cadastro. Com esses dados, realiza abertura de contas, compras e solicitação de empréstimos.
É importante reforçar que doações legítimas não exigem envio de documentos por mensagem. Em caso de dúvida, não compartilhe dados e procure ajuda de um familiar ou responsável.
O que fazer quando um idoso cair em um golpe?
Mesmo com todos os cuidados e orientações, é importante reconhecer que golpes podem acontecer. E, quando um idoso é vítima, como a situação é conduzida faz toda a diferença, não apenas para conter os prejuízos financeiros, mas também para preservar o bem-estar emocional da pessoa envolvida.
O primeiro passo é evitar julgamentos. Muitos idosos sentem vergonha ao perceberem que foram enganados e, por isso, podem esconder o ocorrido ou demorar a pedir ajuda.
Criar um ambiente de acolhimento no qual eles se sintam ouvidos e respeitados é essencial para lidar com o problema com mais rapidez e menos sofrimento. Após identificar o golpe, siga os passos abaixo:
- Interrompa o contato com o golpista
Bloqueie imediatamente números de telefone, e-mails ou perfis em aplicativos de mensagens utilizados no golpe. Qualquer forma de contato com o criminoso deve ser encerrada para evitar novas abordagens ou tentativas de extorsão.
- Proteja os dados financeiros
Entre em contato com o banco ou a administradora do cartão para relatar o ocorrido. Solicite o bloqueio de cartões de crédito, contas ou senhas que possam ter sido comprometidas. Em alguns casos, pode ser necessário suspender temporariamente a conta até que a situação seja esclarecida.
- Registre um boletim de ocorrência
O boletim de ocorrência (B.O.) é fundamental tanto para oficializar o golpe junto às autoridades quanto para dar suporte em negociações com bancos, seguradoras ou órgãos de defesa do consumidor. Em muitos estados, o registro pode ser feito pela internet, de forma rápida e segura.
- Acompanhe movimentações e revise contratos
Após a denúncia, é importante revisar faturas, extratos bancários, contratos assinados e benefícios do INSS. Isso ajuda a identificar outras tentativas de golpe ou possíveis prejuízos ainda em andamento. Em caso de empréstimos ou compras indevidas, registre contestação formal junto à instituição financeira.
- Busque apoio em órgãos especializados
Procure ajuda no Procon, na Defensoria Pública ou em entidades de proteção ao consumidor. Esses órgãos oferecem orientação jurídica gratuita e, em muitos casos, podem intermediar negociações para reversão de cobranças indevidas ou reembolso de valores.
A violência financeira contra idosos é uma realidade silenciosa, mas que pode ser combatida com informação, vigilância e apoio familiar. Converse com seus pais, avós, tios etc. Fale sobre os riscos, mostre exemplos e esteja presente. Proteger quem você ama passa por construir relações de confiança também no campo financeiro.
No Blog do Cartão de Crédito Sam’s Club, você encontra conteúdos para garantir (mais) proteção financeira na sua vida e na vida de quem você ama.







